Exploração Mineral: Hora de aproveitar as oportunidades?

Em tempos de falta de liquidez no mercado financeiro, de baixa nos preços das commodities minerais e insegurança jurídica no que diz respeito à manutenção dos títulos de direitos minerários no Brasil, motivados pela tentativa de mudança do Código de Mineração Brasileira, sugerido pelo governo federal através do envio ao Congresso Nacional de um "Novo Marco Regulatório da Mineração", soa estranho dizer que agora é a hora de identificar as melhores oportunidades na área mineral.

Diz o ditado, que o melhor momento para comprar é na baixa dos preços e o melhor momento para vender é na alta dos pres. Portanto, pode-se afirmar com certeza absoluta que estamos passando um período de baixa.

Em relação ao mercado de exploração mineral, que é responsável diretamente pelas descobertas dos depósitos minerais que entrarão em operação garantindo a manutenção do emprego na mineração e a geração de renda ao país, através do pagamento de royalities, soma-se a incerteza da descoberta e o alto risco no investimento inicial. O Gráfico 1 abaixo mostra a relação do Risco X Capital Investido.


A fase inicial da pesquisa pode ser dividida entre as três partes a seguir:

1) Definição da commodity a ser pesquisada;
2) Identificação do ambiente geológico favorável à existência dessa commodity;
3) Formatação do programa exploratório mínimo responsável pela descoberta mineral.
Nessa etapa, o capital investido no projeto é muito baixo, porém o risco associado é elevadíssimo.

Gráfico 1: Capital investido X Risco do Projeto

Na fase de reconhecimento geológico de campo, aplicação do programa exploratório com prospecção geoquímica e geofísica, o capital investido em pesquisa aumenta, porém o risco do investimento ainda continua alto. O risco só tende a cair após a checagem dos primeiros alvos gerados, com trincheiras, poços, sondagem exploratória, testes de caracterização e processamento mineral, aonde identificado o alvo, confirma-se o potencial exploratório para definição de recursos minerais da commodity pesquisada. Nesse momento, o capital investido no projeto começa a subir, porém o risco associado ao projeto tende a diminuir.

Ainda na fase exploratória, o capital investido é aumentado substancialmente na fase de definição de recursos, aonde empregam-se diferentes métodos de sondagem, grande número de amostras para geoquímica, amostragem de grande volume para definição de rotas de processamento mineral e testes metalúrgicos e modelamento geológico do corpo de minério.

Após a etapa de definição de recursos, o projeto passa por um estudo de viabilidade econômica. Caso seja aprovada a viabilidade do empreendimento, o risco associado ao projeto cai vertiginosamente, porém o investimento nesse ponto dá um salto astronômico. Esse salto no capital investido é justificado pelo CAPEX de implantação do empreendimento minerário. Na fase de mineração o risco do projeto é extremamente baixo, mas o capital investido ainda é alto. O capital só abaixa na etapa de fechamento da lavra, aonde aplica-se conceitos de recuperação ambiental do empreendimento e o risco nesse momento é zerado.

Já o Gráfico 2 mostra a relação do tempo de maturação do projeto e o seu valor associado. Saber identificar a fase do projeto em relação ao tempo é o detalhe para se conseguir as melhores oportunidades.

Geralmente, o tempo de maturação de um empreendimento mineiro, desde a sua concepção até a entrada em operação é de 8 a 9 anos ininterruptos. Da fase de conceituação até a definição de recursos, estima-se um período de 4 a 5 anos. Este é o melhor período para identificação e aquisição de oportunidades. O risco, como visto no Gráfico 1, ainda é alto, porém, o valor relativo do Projeto é baixíssimo.

Do ponto de vista do empreendedor responsável pela descoberta mineral, o melhor momento para a venda do Projeto é a partir do ponto de modelamento geológico, definição de recursos, testes metalúrgicos em escala piloto para definição de rotas de processamento e definição de produtos. Nesse ponto, apesar do risco associado ao Projeto cair assustadoramente, o capital a ser investido necessita de um aporte financeiro elevadíssimo para que o Projeto saia do papel e entre em operação.

Estima-se um período de 5 anos entre os estudos de viabilidade do empreendimento e a implantação do Projeto. Caso a negociação do Projeto seja realizada na etapa de implementação, como o CAPEX é muito alto, o valor relativo do Projeto tende a cair, pois o "lucro" da venda é diluído pelo investimento de implantação do empreendimento mineiro. Porém, o valor relativo do Projeto tende a crescer novamente com a entrada em operação da Mina.

Portanto, posicionar seu Projeto em relação às etapas relacionadas a um empreendimento mineiro é a melhor forma de se identificar uma oportunidade e saber se você está fazendo um bom negócio. Boa sorte!

Autor: Eduardo Oliveira - Engenheiro Geólogo



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