Amostragem: Conceitos e Aplicações na Exploração Mineral

Falar sobre amostragem é muito mais simples do que amostrar. Diversas atividades mineiras estão baseadas em processos de amostragem, desde a exploração a planta de uma mina. Existem muitos conceitos envolvidos em um processo de amostragem. O intuito desse texto é apresentar alguns desses conceitos com uma visão prática, relacionando as atividades do dia-a-dia as elaboradas definições dos livros.

Amostrar é um termo utilizado praticamente em todas as áreas:

  • O médico precisa amostrar sangue, tecidos...
  • O educador físico precisa amostrar desempenho, tempo...
  • O geógrafo precisa amostrar características populacionais...
  • O geólogo precisa amostra rochas, minérios, concentrados...

Intuitivamente, a palavra amostra nos remete a uma parte do todo, mas não uma parte qualquer uma parte tida como representativa da informação que buscamos. Para isso, fazemos uma amostragem e assumimos que as informações de cada amostra quando tratadas estatisticamente representam o todo.

Focando o tema no mundo da Mineração, nos deparamos com outros conceitos importantes. Para se entender os processos envolvidos em um procedimento de amostragem temos que ter bem definidos os seguintes termos:

  • Amostragem
  • Amostra
  • Incremento
  • Redução de massa
  • Preparação física
  • Teoria de amostragem
  • Medida
  • Geoestatística
  • QAQC
  • Boas Práticas

A amostragem é a retirada de quantidades moduladas de material de um todo que se deseja conhecer alguma característica, no caso da mineração, normalmente, teor. A partir de quantidades moduladas (incrementos) gera-se a composição da amostra primária ou global, de tal forma que esta seja representativa do todo amostrado. Uma característica importantíssima da amostragem é que ela deve ser Equiprobabilística.

Ser equiprobabilística nos leva a necessidade de definir outro termo que se confunde com amostra: MEDIDA. Para uma amostra ser uma amostra ela deve ter a mesma possibilidade de ocorrer que qualquer outra dentro do domínio amostrado. Na área de mineração usamos muito dizer “amostragem de testemunhos”, por exemplo. A questão aqui é: quando retiramos metade de um testemunho, obedecendo a um suporte (intervalo) estamos de fato amostrando? Aquele pedaço de material tem a mesma possibilidade de ocorrer que qualquer outro? A resposta é NÃO.

Assim, quando executamos, uns dos procedimentos mais comuns na área não estão tomando uma amostra e sim uma MEDIDA. O teor obtido para aquela metade de testemunho é uma medida pontual, representa apenas ele mesmo e não um todo.

Então por que amostramos testemunhos de sondagem? Porque é utilizando principalmente essa informação que conseguimos estimar recursos e reservas de um depósito, logo trata-se de uma informação importantíssima. Mas para utilizamos essa Medida, chegamos a outro conceito: GEOESTATÍSTICA.

Geoestatística é um ramo da Estatística Espacial que usa o conceito de funções aleatórias para incorporar a dependência espacial aos modelos para variáveis geo-referenciadas.

Uma vez entendido o que é amostragem, medida e geoestatística, vamos voltar à amostra stricto sensu e entender outro conceito: TEORIA DE AMOSTRAGEM.

A Teoria de Amostragem começou a ser desenvolvida por Pierre Gy na década de 1950. Segundo A TEORIA em qualquer procedimento de amostragem temos um erro associado, erro esse com o qual teremos que conviver. Ou seja, ela nos dá a incerteza da informação que estamos trabalhando, o que é fundamental, afinal uma decisão é tão boa quanto for a informação na qual ela foi baseada.

A Teoria mostra a relação do erro com fatores físico-químicos do material que estamos trabalhando:

  1. Teor;
  2. Granulometria (Tamanho e forma);
  3. Mineralogia;
  4. Quantidade (massa);
  5. Densidade;
  6. Heterogeneidade (Material de interesse liberado ou não)

Cabe ressaltar, que essa teoria foi desenvolvida para se determinar o erro ou a massa de uma AMOSTRA stricto sensu.

A qualidade da amostra está relacionada também a forma como ela é tomada, preparada e analisada, o que nos leva a relacionar os seguintes termos:

  • Incremento: é um grupo de fragmentos extraídos de uma grande quantidade em um único dispositivo de amostragem;
  • Preparação Física: É baseada principalmente em processos de homogeneização, redução granulométrica e de massa que irão garantir a qualidade da amostra a ser analisada. Com a análise de ferramentas de controle (duplicatas) podemos definir o erro/variância de cada processo da preparação física. Todas as etapas devem ser regidas por um Protocolo/Procedimento de Preparação Física;

O que BOAS PRÁTICAS têm haver com amostragem?

Em uma visão simplista as “boas práticas” regeriam procedimentos que garantiriam uma boa amostragem. Em uma visão globalizada as “boas práticas” regem toda a qualidade de um investimento, qualificam a informação gerada e quantificam a incerteza associada. Um proprietário ou um investidor cauteloso simplesmente não aplicam seu dinheiro em um empreendimento sem avaliar o seu risco/qualidade. Nesse momento entramos com conceito de QAQC. Ou seja, definir procedimentos que garantam e controlem a qualidade de todas as informações geradas.

Definir “boas práticas” segundo códigos internacionais ou práticas de mercado exigiria um texto voltado apenas para o assunto, assim, para finalizar o que deve ser absorvido é que todas as atividades devem ser executadas com alto padrão de qualidade e essa qualidade está diretamente associada aos termos tratados nesse texto.

 

 

foto Professora Marcela Taina  

Marcela Taina

Marcela é Bacharel em Geologia (USP), especializada em Petrologia e Geoquímica pela mesma instituição. É Membro da Australian Institute of Geoscientists -“CP” -Membership Number 5181. Destaque recentemente em 2013 e 2014, participando como CP responsável pelo QAQC (elaboração e/ou gestão e/ou auditoria) dos projetos de grandes players nacionais.




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